segunda-feira, 29 de junho de 2009

Paulo Pedroso - O Lado Progressivo da Eletro Fusion

Inside Jam and Friends entrevista Paulo Pedroso



J.A - A Eletro Fusion é uma banda de classic rock e vcs tocam
muitas músicas de várias bandas, quando vc toca Pink Floyd
tem um gosto diferente?

P.P - Sem dúvida alguma. Floyd é minha banda preferida
dentre outras. Porém, tocar FLoyd é incomparável. O sabor
de tocar Floyd e ser comparado ao Mestre Gilmour pelos
amigos é sensacional. Não que eu realmente seja tudo isso,
mas a comparação é inevitável, pois além da barriga ser
parecida, me dedico bastante e não descanso enquanto não
atinjo a perfeição. Fora isso eu pesquiso bastante sobre o David,
seus equipamentos e setups. Seria hipocrisia dizer que não procuro
os timbres do Gilmour mas ao mesmo tempo fico satisfeito com
meus próprios timbres. Até porque cada álbum, cada show o
Mestre está com um timbre diferente e seria impossível reproduzir
o som dele na íntegra com meu humilde equipamento.

J.A. - Syd Barret ou David Gilmour?

P.P - Sou da geração Gilmour (deu pra ver na resposta anterior né).
Sou eternamente grato ao Syd por ter juntado a banda. O som e as
músicas muito alucinantes do Syd não me atraem tanto quanto a
alma e o feeling do David. Curiosamente a Eletro Fusion tem um mix
com a história do FLoyd, um de seus fundadores, o Fernando,
não está mais na banda.
Conheci FLoyd pelo "The Wall" e me apaixonei por aquele tipo de som.

Em seguida comprei meu segundo álbum, "A Momentary Lapse Of Reason".
O começo do CD com o barco a remo prendeu minha atenção, pois aquilo
causava sensações diferentes, experiência que não tinha sentido em música
até então. Apesar de ter me apaixonado por FLoyd, não conhecia seus
maiores sucessos como "The Dark Side", "Echoes", "Animals"
dentre outros. Também nunca me liguei em nome de integrantes de banda
e até então o nome David Gilmour pra mim era desconhecido.
Até que um ano antes de eu começar a tocar, um colega
me pediu um DVD do Gilmour de presente de amigo secreto.
Perguntei a ele quem era David Gilmour (haha) e ele respondeu
que era o guitarrista do Pink FLoyd. Tinha então encontrado o
dono daqueles solos fantásticos e de timbre dos céus.
Pelo meu histórico dá pra entender que eu não tive a chance de gostar
do trabalho do Syd pois o Floyd de Gilmour atual já estava há muito
tempo no meu sangue.



J.A. - Recentemente vc veio do USA com uma nova aquisição
uma fender, fale um pouco dela?

P.P - A Fender é uma longa história. Vou falar do instrumento
primeiro e um pouco sobre mim para então explicar como
cheguei até ela.
A Fender foi fabricada em 1997, é uma American Standadt Strato
da cor da própria madeira polida e envernizada, com escudo de
madrepérola vinho. Possuem tarrachas com trava, roller nut
(pestana com roletes) e ponte de dois pivots (permite "alavancar"
um pouco além do tremolo normal). Todos componentes de série
da Fender. Porém os captadores foram substituídos por
EMG ativos por um de seus donos.
Iniciei meus estudos de guitarra mais ou menos em 2005
impulsionado pela banda de um amigo, a Ackua Band.
O guitarrista na época era o Cris Rodrigues e a maneira com que o
Cris toca me inspirou a iniciar aulas (com o próprio Cris).
Comprei então uma Condor de R$350,00 sem ter a menor noção
do que estava comprando, pensando apenas em pagar pouco.
Nessa época eu era incapaz de notar a diferença entre os captadores da
ponte e do braço, pra mim soava tudo igual.
Conforme o tempo foi passando, fui adquirindo equipamentos melhores.
Comprei uma GT8 da Boss e um ampli Peavey Classic 50.
Nesse ponto o timbre da Condor começou a me incomodar.
Mesmo após ter trocado os captadores, não estava feliz com ela.
Foi aí então que comecei a pesquisar um pouco mais sobre o rig do
Gilmour. Ele possui uma Fender Strato vermelha em que instalou
3 EMGs ativos com o propósito de reduzir o ruído no palco.
Porém ele também instalou dois outros componentes, substituindo os
controles de tonalidade. Com isso a guitarra passou a ter
praticamente um equalizador de três bandas. Um dos controles
trabalha nos médios e o outro nos graves e agudos. Isso me
atraiu devido à enorme possibilidade de combinações de
timbres possíveis.
Com a viagem marcada, iniciei as pesquisas para comprar o
kit de captadores (já acompanhados pelos controles adicionais de tonalidade)
que custa em torno de $310,00. E durante a pesquisa,
achei a Nicole encostada numa loja, com preço de $650,00.
Arrematei sem pensar.
Hoje estou feliz com meu rig e com os timbres que consegui criar.
Em tudo isso não tem nada idêntico ao Floyd ou ao Gilmour
a não ser o set de captadores. No meio de toda essa pesquisa
de tentar recriar o timbre dos seus heróis você acaba passando
por vários outros timbres que são interessantes. Da mesma forma,
quando tento recriar as suas obras na íntegra, aprendo as técnicas
que foram usadas e crio meu próprio estilo de pegada.
É assim que um novato como eu aprendo os macetes e truques da música.

J.A. - Oque vc está achando do projeto “tributo ao Pink Floyd”
e de participar dele?

P.P - Cheguei a ter uma banda só de cover de Floyd que
durou pouco mais de dois meses. O problema foi encontrar
músicos que tivessem o mesmo tesão de tocar só Pink Floyd.
Não tinha vocalista nem tecladista, o batera era um garoto de 16 anos,
o Danny Scol, que toca MUITO, mas com o lance da idade,
tinha problemas para comparecer aos ensaios. Essa banda
se desfez na época que a Eletro Fusion ainda estava sem baterista,
sem vocalista e sem nome. Até que achamos o Leo e o Fábio e
começamos a decolar. A Eletro Fusion me mostrou que é muito
importante para um iniciante como eu, tocar diversas coisas.
Tenho crescido muito tirando músicas do Queen, Kiss,
Purple e várias outras bandas importantes.
Quando tomei conhecimento do projeto "Tributo ao Pink FLoyd"
percebi que havia mais gente no mundo como eu.
Acho o projeto fantástico e me sinto honrado de ter sido convidado
a participar do projeto e ter a liberdade de opinar e gravar o
que vem na telha. Esse projeto está me dando o gosto de tocar
Floyd sem ter que abrir mão da Eletro Fusion para conseguir isso.
Tem sido uma experiência incrível gravar em estúdio e reviver
músicas do Floyd que não tocava há um tempo.
Mal posso esperar para finalizarmos o CD e marcarmos o show
de lançamento.

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